Vale a pena mudar de emprego ?

Nem sempre vale a pena mudar de emprego só pelo salário. É preciso avaliar a segurança profissional e se mostrar um bom profissional.

>INDIRA ARRUDA

Especial para O Povo

trabalho@opovo.com.br

Se estivesse insatisfeito com o seu salário e surgisse a oportunidade de mudar de emprego, você aceitaria imediatamente? Para muitas pessoas, a promessa de um salário melhor é suficiente para mudar de emprego. Entretanto, se algumas precauções não forem tomadas, uma nova oportunidade de emprego pode se transformar em uma enorme dor de cabeça.

 

Primeiro, é preciso avaliar se a mudança realmente vale a pena, avaliando outros fatores além do financeiro – embora esse ainda seja um dos principais motivos pelos quais as pessoas mudam de emprego. Segundo Kleber Leite, consultor empresarial da Bratt Consultoria, quanto menor o salário maior a rotatividade.

Mas para o técnico judiciário José Olavo Bezerra, a estabilidade e a tranquilidade podem compensar um rendimento menor. Ele trabalhava em um banco, mas não se sentia a vontade com a pressão e as cobranças. Além disso, a instituição financeira estava falindo. “Já prevendo a situação ruim, fiz concurso para o TRE. O salário era menor, mas tinha estabilidade e tranquilidade. Mesmo que você ganhe um pouquinho menos, essa menor cobrança e esse ritmo mais leve, com certeza, compensam. Tranquilidade não tem preço”, diz.

Kleber também atribui o aumento das mudanças de emprego á atuação das empresas de recursos humanos, que realizam entrevistas diariamente. Ele alerta que é preciso tomar cuidado com essas empresas.

Antes de selecionar os candidatos, elas buscam referências profissionais de cada um. Se houver, algum ponto negativo ficará registrado em um relatório, podendo ser visto por qualquer empresa que avalie o candidato.

Para quem já conquistou o desejado cargo, no qual trabalha atualmente, e demonstrou um bom nível do seu capital intelectual e de sua relação interpessoal, o desafio é maior. A expectativa pode ser muito boa, mas ás vezes não há adaptação ao novo ambiente de trabalho – ou o contrário.

Reflita

“Quando você já tem uma função e ela está sendo aceita, você tem que sentar e fazer uma reflexão. Tem que ver a questão da segurança profissional”, ressalta Kleber. Para ajudar nessa reflexão, existem profissionais que avaliam o que é melhor em cada caso, analisando quanto à pessoa ganha ou vai ganhar e o que é mais seguro profissionalmente.

Caso conclua que o novo emprego vale o risco, há ainda algumas providências a tomar antes de se despedir do chefe e dos colegas. Avisar com antecedência que vai sair e concluir as atividades, por exemplo, deixam o funcionário com uma boa imagem tanto na antiga empresa quanto na nova.

Independente do tipo de emprego, o importante é manter uma boa imagem profissional em qualquer empresa.

  • O profissional empregado deve estar sempre atento em torno do seu principal negócio que é o seu emprego. Há alguns sinais que mostram o momento para a mudança de emprego, tais como:

  1. Falta de perspectivas de crescimento na empresa e falta de novos desafios;

  2. Problemas de relacionamento com os superiores e gestores;

  3. Baixa remuneração em relação ao mercado de trabalho;

  4. Percepção de não mais estar entendendo a demanda da empresa com os seus resultados;

  5. Convite para novas oportunidades.

  • O melhor momento para procurar uma nova colocação é quando você ainda está trabalhando, mas para tanto você deve ter os seguintes cuidados:

  1. Fique atento ao mercado, observando tendências, e ás oportunidades, adequação ao seu perfil profissional e ao perfil salarial;

  2. Planeje o “seu marketing” para divulgação e apresentação para não se expor e nem colocar em risco a confidencialidade do seu processo;

  3. Informe-se sobre a nova empresa. Verifique a seriedade, estabilidade dos empregados, clima da organização;

  4. Evite sempre expor pontos negativos de seu atual ou ex-empregador;

  5. Calcule os riscos da mudança antes de tomar decisões.

Fonte: JORNAL O POVO, ESPECIAL, domingo, 31 de outubro de 2010.