Trabalhar em casa é coisa séria.

Sem saber dos benefícios que traz a empresa, muitos empresários ainda têm receio de implantar o home office entre os funcionários. Mas com esse estilo de trabalho, ganha o empregado e ganha o empregador.

Dayana Godoy

Especial para O POVO

dayanagodoy@opovo.com.br

Já pensou em ter um emprego no qual você pode trabalhar da sua casa própria casa? A proposta parece ser interessante, mas engana-se quem pensa que vai ficar o dia inteiro de pijama, deitar de vez em quando e assistir televisão entre um e-mail e um telefonema.

A coisa é séria. Pouco utilizada no Ceará, à prática traz benefícios tanto para empresa como para funcionários. De acordo com o consultor empresarial da Bratt Consultoria, Kleber Leite, o trabalho como home office surgiu com as empresas de informática, que perceberam que os profissionais dotados de capital intelectual, produziam em horários diferenciados. Dependendo da empresa e do ramo da atividade, é possível flexibilizar o horário do profissional, não ficando reduzido apenas ao comercial, mas ao horário que ele trabalhe melhor, que ás vezes pode ser até de madrugada. “Às vezes tem gente trabalhando no aeroporto, na praia”, diz.

Para empresa são muitos os benefícios. É economia de espaço, de energia, de consumo de água, além de colaborar na diminuição de CO2, evitando o deslocamento de funcionários até a empresa. Marcos André, sócio da VSM Comunicação, uma das poucas empresas no Ceará a adotar o esquema de home office, afirma que os benefícios vão além da economia nos gastos mensais. “Você ganha tempo e melhora a qualidade de vida do funcionário”, afirma ele, dizendo que depois que implantou o home na empresa, teve mais produtividade e retorno, garantido pelo cliente. Tendo como exemplo empresas do Sul e Sudeste que deram certo, a VSM resolveu apostar na ideia.

“No começo ficamos receosos, por causa dos clientes, que não estavam acostumados. Mas isso foi superado com os resultados, que foram maiores e os clientes deram esse recall”, afirma Marcos.

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Riqueza hoje é o capital intelectual, mais do que dinheiro. Hoje que é rico é quem tem ideia, e o home (office) trabalha com capital intelectual. Não precisa daquela pessoa sentadinha na minha frente. Com o home se ganha tempo.

Kleber Leite, consultor empresarial da Bratt Consultoria.

Como o trabalho é acompanhado

“Cada profissional tem um objetivo, uma missão. Ele pode ir apresentando, passo a passo. Ou então, estipulamos um prazo, de cinco dias por exemplo. Ele pode me apresentar antes dos cinco dias, para eu ver como está o andamento, no quinto dia se trouxer, então ele trabalhou”, explica Kleber Leite, consultor empresarial da Bratt Consultoria. De acordo com ele, existe um paradigma entre os empresários do Nordeste de que o profissional só trabalha se estiver alguém junto, olhando para ele, e que isso vai demorar a mudar. Marcos André, da VSM Comunicação, explica que uma das formas de acompanhar o trabalho é através de reuniões. “A reunião vai avaliar o que houve de proatividade, ou as demandas repassadas pelo cliente”, explica. (DG)

EMAiS

  • De acordo com Kleber Leite, consultor empresarial da Bratt Consultoria, existem muitas empresas que contratam no regime home office e não sabem;
  • Ele cita, como exemplo, uma psicóloga de uma empresa, um contador de uma indústria e até corretores de imóveis;
  • O corretor de imóveis da Sol Nascente, Kleber Paiva, afirma que, realmente, existe a opção de não estar na imobiliária quando não tem um compromisso. “Em casa eu leio meus e-mails, faço ligações, vejo alguns imóveis, agendo visitas aos clientes”, afirma.
  • Mas ele diz que praticamente não trabalha nesse regime. “É melhor vir para a imobiliária, pois converso com os colegas, troco informações”, diz.

FONTE: JORNAL O POVO, ESPECIAL, 01 de Agosto de 2010.