Mercado Competitivo

Os desafios numa seleção

Dificuldades no processo para contratar pessoas são enfrentadas dos dois lados: tanto pelo entrevistado como pela empresa

A hora de procurar um emprego pode ser difícil para muitos. Preparar currículo, subir e descer a cidade para entrega-los nas empresas, entrar em contato com amigos e conhecidos que estão no mercado, além, claro, da natural ansiedade na espera por um retorno.

Apesar disso tudo, há outro momento que pode ser o trampolim para a realização ou um balde de água fria: a entrevista. Esse processo de seleção já se tornou padrão na maioria das empresas, mas é essencial para o sucesso das duas partes.

Diretor da Bratt Consultoria, Kleber Leite atua há 28 anos com a área organizacional e destaca as mudanças que o mercado vem enfrentando. “Antes a maior análise era pelo currículo. Hoje, as empresas trabalham com psicólogos que fazem a avaliação pessoal e os administradores que veem o perfil profissional. Só que, uma vez feitos os testes, pode acontecer de o funcionário chegar para trabalhar e haver um choque com a cultura da empresa” aponta ele.

De acordo com o consultor, atualmente, o maior capital é o humano e a tendência é haver uma adaptação, na medida do possível, da empresa ao funcionário. “É a maior tecnologia que uma empresa tem. Há um crescimento na demanda profissional, mas há uma maior exigência dos dois lados. Os candidatos estão mais preparados, qualificados e não aceitam qualquer proposta. As empresas estão até oferecendo salários diferenciados para manter seus talentos”, explica Kleber Leite.

O outro lado

Quem já passou por uma entrevista sabe que o nervosismo bate. A segurança no próprio potencial, a certeza de que se está capacitado para o posto, assim como técnicas de relaxamento são elementos que diminuem o estresse e podem ajudar o candidato a enfrentar esse tipo de situação numa boa.

Apesar disso, muitos cometem erros discretos, não expressados verbalmente, mas que denotam a tal ansiedade. Segundo especialistas, 70% da comunicação humana se dá no nível subconsciente e acaba sendo denunciada por pequenos gestos e atitudes. Braços cruzados, balançar o corpo, girar a cadeira, mexer várias vezes no cabelo, por exemplo, podem distrair o selecionador e fazer com que ele perca a atenção que deveria estar voltada à fala do candidato.

A dica, segundo profissionais que atuam em departamentos de recursos humanos, é ser natural, já que é impossível controlar 100% a própria linguagem corporal. Sendo natural, o entrevistado evita que o corpo diga algo diferente das palavras.

O filtro, durante a seleção, tornou-se mais rigoroso. Kleber reforça, “antes, as empresas contratavam por indicações. Já o currículo aceita o que a gente quiser. È uma carta em que se escreve tudo o que deseja e como queremos ser vistos. As empresas de Recursos Humanos estão eliminando os currículos porque alguns aparecem errados demais”.

Diferente de antes, quando a contratação surgia na base da formação acadêmica e cursos extracurriculares, hoje é necessário identificar um conjunto de competências que vão representar o candidato como sendo um talento em potencial. “Há uma peneira muito grande. Eu citaria basicamente três: o próprio profissional, a empresa contratante e a seleção”, alerta o diretor Kleber Leite.

  1. BRAÇOS CRUZADOS- umanHUm dos sinais corporais mais básicos está relacionado diretamente à postura defensiva. Cruzar os braços indica que a pessoa não está confortável ou não confia no ambiente em que ela está.

  2. GESTOS COM AS MÃOS E BRAÇOS Durante uma conversa, eles são fundamentais e indicam conhecimento e convicção naquilo que se está falando no momento. O candidato pode aproveitar este recurso na entrevista de emprego.

  3. SOBRANCELHAS- Nas entrevistas e conversas em geral, elas sempre dão pequenos sinais. Quando estão arqueadas, significa interesse, assim como sobrancelhas franzidas indicam dúvida.

  4. CORPO INCLINADO EM DIREÇÃO À OUTRA PESSOA- Atitude positiva que pode significar interesse na outra pessoa e na conversa que está sendo desenvolvida no momento, mas também pode dar impressão de “invadir o território”. È sempre bom encontrar o meio termo.

  5. GESTOS REPETITIVOS- Durante a entrevista, ficar fazendo gestos repetitivos como bater o pé no chão, bater as mãos sobre as pernas ou ficar batendo a caneta na mesa, indicam que o candidato está ansioso e com vontade de sair daquela situação. Olhar muito para o relógio ou para a porta também passam sensações semelhantes.

Critérios avaliados

Dessa forma, tornou-se fundamental desenvolver novos conceitos e métodos de seleção, que sejam capazes de avaliar precisamente as competências ligadas não apenas aos conhecimentos técnicos, mas também as características pessoais e da personalidade do futuro profissional. Entre elas, a disposição á função, se o candidato está apto a realizar as atribuições exigidas, perfil compatível com a política da empresa, capacidade de inovação e desenvolvimento de soluções práticas dos problemas; além de comprometimento com uma constante atualização, perfil de liderança, cooperação, flexibilidade, ousadia, ambições práticas, entre outros.

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE, TRABALHO, domingo, 25 de julho de 2010.